8/04/2010
o quê sou eu diante da beleza?
confesso não querer e por pouco chego a morrer
gira tudo ao redor em uma tonteira sem fim me guiando por nuvens
e é assim formas e sonhos e cores e cheiros e amores que trazem dores
tal qual o bêbado moral sem escrúpulos desafio e provo do gosto
louco!
trôpego caminho o caminho em desalinho já não consigo equilibrar
choro pelo que não sei a lembrança
talvez
sou rei!
7/13/2010
miragem, doce e alva miragem
eia! espicho me todo a ver-te passar, leve e lânguida, toda coxas e carnes. o suor a escorrer pela testa, em direção a bochecha rosada e saudável. cabelos cores difusas balançando a queimar meu desejo com sua cor de fogo. corro os olhos em direção ao decote, generoso, com vales de perfumes entre serras. vestido esvoaçante, levado pelo vento, prata no tecido traiçoeiro. abaixo, em oposição a morros, ventre profundo, sulcado pela boa linhagem de qual provieste. abre-se silhueta, mulher poderosa, com força de batalha, anita garibaldi. acima dos joelhos finda a fazenda, sem mais decalques, com cor lustrosa, selenita. batatas da perna grossas e suculentas, convidando-me a ser condenado pela luxúria, terminando em canelas e calcanhares de calibre que podem me ferir e matar.
mas, assim como vem, se vai, sem ao menos lançar um furtivo olhar lateral a esse ser visceral, deixando somente aromas e bromas.
(intervenção em homenagem ao gosto da saudade de Aline Liz Moraes Dahlen)
7/12/2010
miragem
eia! espicho me todo a ver-te passar, leve e lânguida, toda coxas e carnes. o suor a escorrer pela testa, em direção a bochecha rosada e saudável. corro os olhos em direção ao decote, generoso, com vales de perfumes entre serras. vestido esvoaçante, levado pelo vento, com estampa de flores no tecido barato. abaixo, em oposição a morros, ventre profundo, sulcado pela boa linhagem de qual provieste. abre-se a silhueta em ancas de boa mãe, mulher poderosa, com força de batalha. acima dos joelhos finda a chita, sem mais decalques, com cor terrosa da pele morena. batatas da perna grossas e suculentas, convidando-me a ser condenado pela luxúria, terminando em canelas e calcanhares de calibre que podem me ferir e matar.
mas, assim como vem, se vai, sem ao menos lançar um furtivo olhar lateral a esse ser visceral, deixando somente aromas e bromas.
6/10/2010
6/09/2010
esc para sair
escárnio é a flor que enfeita a lápide de uma triste existência
escombros de uma luz há muito apagada
escarros ressequidos arranham vestes pútridas
esculachados se encontram os que persistem a essa loucura
escabeçar-te-ei monstro que me persegue em minha solidão
escabichar sua face horrenda por imerecida miséria
escaço malcheiroso que fertiliza mania errante
escáde que gera dor em corpo imaculado e puro
escabiosa te chamo em alusão a diabólica
escabicheira lhe trouxe ingrediente que fomentasse meu drama
escabreado pois sigo por essa senda escolhida ao acaso
escacilho esse amor que fugiu e levou à ruína
esclerótico meu peito após dito fulgor executado
passar de dentro para fora, ir para fora, ou deixar um lugar
5/15/2010
vinho
quando eu for, não me diga que fui o último
que amar não é como o mar, entre ondas e espumas
não fique só, apenas dê um tempo e se jogue
embale e embole seus braços nos braços de um novo amante
quando eu não estiver, espere pelo próximo que vier
que a vida não pára quando chega a hora, oras, segue no influxo
de dicente carente, vire o docente doce que traz o prazer
guie quem possa montar a guirlanda de flores e corações
confuso infuso, trabalho obtuso do uso do estigma
sem ordem nem gosto no mosto imposto à uva
do que segue no rumo vivente inventando o buquet
esqueça que fôra o que juntos éramos, vinagre viramos
separe étilico evapore e ignore antes que more a disgosto
numa nova sepa brotando da terra, outro preparo de fênix
enótica erótica infinita
4/27/2010
fátima
No escuro,
Sozinha
Mesmo com uma vela acessa
Jamais pensava eu
Escrever uma poesia
Poema meu?
Palavras minhas?
Não.
Só me leio nas entrelinhas.
(intervenção andré mantovanni)
4/25/2010
3/22/2010
torrente
negra sua cor, noite dos meus devaneios
cachos que me enrosco no fim de minha liberdade
quero seu cheiro, quero seu corpo, quero ser seu
paixão que surge traiçoeira e foge de meu controle
espero recompensa enquanto tento entender
uma avalanche que vai-e-vem e me confunde
te busco, te ouço, te sigo, te perco
emendo a memória de seus beijos a momentos
surgem paixões passageiras e nenhum antídoto
para a dor de ser apenas: mais um amigo