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7/13/2010

miragem, doce e alva miragem

eia! espicho me todo a ver-te passar, leve e lânguida, toda coxas e carnes. o suor a escorrer pela testa, em direção a bochecha rosada e saudável. cabelos cores difusas balançando a queimar meu desejo com sua cor de fogo. corro os olhos em direção ao decote, generoso, com vales de perfumes entre serras. vestido esvoaçante, levado pelo vento, prata no tecido traiçoeiro. abaixo, em oposição a morros, ventre profundo, sulcado pela boa linhagem de qual provieste. abre-se silhueta, mulher poderosa, com força de batalha, anita garibaldi. acima dos joelhos finda a fazenda, sem mais decalques, com cor lustrosa, selenita.  batatas da perna grossas e suculentas, convidando-me a ser condenado pela luxúria, terminando em canelas e calcanhares de calibre que podem me ferir e matar.

mas, assim como vem, se vai, sem ao menos lançar um furtivo olhar lateral a esse ser visceral, deixando somente aromas e bromas.

(intervenção em homenagem ao gosto da saudade de Aline Liz Moraes Dahlen)

10/27/2009

BRANDÃO

98469_3-rip-tombstone Faleceu na manhã do último domingo Joaquim de Mello e Souza, conhecido por seus amigos como Brandão. A cerimônia de despedida se realizará no mesmo boteco em que o companheiro, boêmio por profissão, dava expediente diariamente entre sete e onze horas da noite.

Deixa como viúva aquela a que sempre fora fiel nos passados trinta anos de vida a dois, sem nunca trocar de rótulo, e que reside em sua morada, o mesmo boteco onde conviveram juntos por uma vida inteira.

Para os amigos, deixa como herança a lembrança de muitas gargalhadas e de um parceiro de copo risonho e brincalhão. Para as amigas, só resta a saudade do par perfeito na gafieira de sextas e sábados, tocada pela banda Sereno na Madrugada, desde quando ninguém mais se lembrava.