4/05/2012

perfil

comida favorita?
macarronada com molho de istrogonofi

sobremesa favorita?
bolo de aliversário

doce favorito?
jeleia de damaceno

fruta favorita?
pinhão

música favorita?
as da leidi gága

festas que frequenta?
churrasco

lugares que gosta de visitar?
casa cum picina

sonho de vida:
montar um negócio

ator preferido:
istive segau

atriz favorita:
a lucinha (amiga sua pessa foi linda!)

3/30/2012

Suspiro

Nunca foi religioso, porém a Cruz sempre o fascinou. Talvez o ícone do sofrimento.
Sofrimento. Já não sentia mais nenhum, há muito tempo. O suor ainda escorria frio pela testa. Apertou o objeto talhado em madeira mas forte contra o corpo.
Fazia alguns meses que pensava em si no passado. Mesmo em coisa prosaica e diária, como comer ou evacuar.
Estranho se acostumar com a morte próxima. Mais estranho ainda saber que ela finalmente chegara. Olhou para o lado, não enxergou nada.
Desde muito estava só. Seus amigos, seus amores, sua família. Abandonou-os.
Sentimental não, bastante sensível. Sua delicadeza em lidar com o mundo sempre exótica. Tentou à exaustão. Desistiu e se retirou, veio a calma.
Olhou para o outro lado. Sob o catre alguns sapatos. Para vê-los deveria acender a luz. Preguiça.
Estava bem próximo agora. Seus dedos sangravam e a pele do peito estava marcada pelo símbolo. 'Como será?' - pensou e riu. No derradeiro instante vislumbrar o futuro. Entendeu como uma predição. Acreditava em sinais. Rindo ainda, focalizou o teto escuro, fechou os olhos.

3/02/2012

amo amar

amo, quantos me for permitido amar
amo quem meu coração escolher amar
amo sem conjunção carnal para amar
amo o ato ingênuo e retrógado amar

2/25/2012

mario de andrade aos 64

vivo pedaços do que sou aos dezessete.
resolveu cuidar. agora está cuidando. já cuidou o bastante.
herói cafajeste.
o gigante comeu.
você vai me alimentar?

1/15/2012

pra mim não serve

Sempre me interessei por pessoas diferentes. Interpretem a última palavra como adjetivo, mas é também um verbo.
Meu primeiro amor foi uma estrábica. Vesga mesmo, com os olhinhos tortinhos. Eu com nove, ela onze. Eu ficava horas sob sua janela conversando, aprendendo, me alimentando da sua extraordinária pessoa.
Aos onze anos passei a frequentar fliperamas. Sempre me disseram que tinha muito drogado, ladrões, maus elementos. A última parte não é tão verdade assim.
Passei a ouvir e curtir rap, música até então estranha ao meu círculo. Muitos anos depois virou moda, hoje ouço quase tudo, mas muito de mim veio de lá.
Me interessam surdos, mudos, anões, deficientes físicos e mentais, tipo aleijados, paraplégicos e afins (palavras que devem ser tão feias que nem constam no dicionário do celular onde escrevo esse texto), deslocados sociais. Também me fascinam os que fazem uso do verbo diferenciar: homosexuais, tatuados, pessoas com modificações corporais, tímidos, recatados (sim, esses dois escolhem), periguetes, fanfarrões, putas, travestis etc.
Ouço funk, 'se amarro', acho uma forma de expressão riquissima. Assim como lutas. Somos humanos, precisamos de nossa parte primal.
Muitas vezes ouvi "nossa, um rapaz tão bonito, estudado, culto (e segue a linha de eufemismos), não sei por que você se mistura/ouve/curte/gosta". É, não sei tampouco, mas não me preocupo com isso. Perco mais tempo amando, admirando, aprendendo, sorvindo (palavra bacana) os outros do que tentando me entender. Ganho mais com isso.
Cada vez que ouço 'pra mim não serve' me ocorrem dois pensamentos: quanta pretensão e pra mim não serve.
ps: primeiro post feito no meu android, sem revisão, mas acho que foi :)


1/08/2012

scrambled eggs

sim, eu sei entendo
nós dois, ou dous? bem mais que um minuendo
ela diz que não
será só cisma minha então?

sou só marasquino, doce em essência
ela é fresca, natural para o que seja
posso ser essa falência
ela pura perfeita linda cereja

tomarei último banho frio e partirei
quando estamos na cama
ela me trata como um rei

coisa simplória, ovos mexidos
para quem tem e ouça
mensagem secreta para os de ouvidos

11/15/2011

feriado

pinga o suor no rosto, o seu sob o meu
prova o gosto salgado do sexo
demonstração clara de selvagem afeto

prepara a clara, a gema, energia recompõe
serve com pimenta, geléia, agridoce-picante
o beijo vem junto, de boca cheia em rompante

separa, se banha, a roupa, a toalha, apanha
refresca, limpa, não é imundo, é resquício
saudade, no drama, não aguenta, reclama, arrepende, me chama

10/06/2011

Hungryness lifed. lifted.

Yeah, finally i got to this decision
I took my ages, life, lives, to reach the final plot
Tell them I loved every single one who had been here
I need to set this scenario up
Room, check. Bed, check. Mirror, check
Myself, or should I say this lack of human being I became
Wants to make it last longer than necessary
Let me in the room, the defying room, the defeat room, the so call last or least room
Starvation was only choice  for screwing up suffering and sorrow
Lock the door, lock the body, lock the mind
Say good bye, meet you in Dante

9/01/2011

soneto em vão

o quanto você me ama?

por favor, não me diga que moraria comigo para sempre.

que dividiria teto e dívidas, quarto e cozinha.

eu não suportaria conviver com essa ideia.

 

talvez eu possa ter uma medida…

mas se você jurar que abandonaria tudo por mim…

com certeza nunca me guardará!

sou como poeira ao vento, evaporo com o ar!

 

se tentares me mostrar perfeição,

sei que são decassílabos

nada pode ser mais vão

 

qual queira seja sua forma de forçar o entendimento

deixe tudo como está

creio que não há como explicar, o quanto você me ama

5/17/2011

o triste destino de alexander srati bildotsa

Teve que parar no meio da rua e respirar fundo. Não era a primeira vez aquele dia, mas ali, no meio daquele movimentado cruzamento, era demais para ele. Pensou rápido se deveria voltar para casa da mãe ou visitar àquele boteco de esquina. Era contra seus princípios, todavia, já abrira mão deles mais cedo.

Em pleno restaurante, durante o almoço. Sentiu uma contração e uma reviravolta. Levantou-se e foi. Começou em pé, tinha essa habilidade. Quando viu os protetores de assento de papel, capitulou. Forrou dois deles e relaxou. Deve ter ficado uns dez minutos longe da mesa. Não cronometrou e nem podia ter noção de tempo.

A situação era muito delicada. Caminhando pela rua se perguntava se as pessoas ao seu redor entendiam os sofrimento e desespero. Amaldiçoou a todos, e à civilização oriental. E ocidental. Desejou ser um simiano. Dessa forma poderia acabar com seu mau-estar em plena selva. De onde estava buscou o celular, atrapalhado, e discou o número da mãe. Recomendou a ela que mandasse os porteiros abrirem de pronto o portão.

Passou por eles como uma bala balbuciando “estou aperriado”. Sexto andar. O elevador estava no sexto andar e ele deveria ir ao décimo quarto. Vinte andares no total. Dentro dele, muitas contrações. Resolveu fazer uma concessão. Sabia que não era bom, muito arriscado.

Na primeira, nada além de uma pequena sensação de alívio, nenhum drama. No fundo sabia que não deveria ir a tanto, mas teve a segunda. Sentiu-se melhor, apesar de plena noção de perigo. Na terceira, um pequeno incidente. Remediável, desagradável, entretanto, remediável.

Abriu a porta, pensou onde estaria a mãe e entrou no apartamento, escuro. Carregava algumas sacolas e usava sua jaqueta. Lhe incomodava a jaqueta, resolveu tirá-la. Talvez não devesse ter feito isso. Talvez se o elevador estivesse no primeiro andar. Não, com toda certeza não. Tratava-se da próximidade, é sempre assim. O corpo entendera mal a proximidade. Chegando a menos de um metro da porta o pior aconteceu.

Sentiu sua roupa pesada e o calor macio a escorrer pela perna. O fedor invadiu o ambiente. Chamou pela mãe. Não acreditava que isso havia acontecido, tão perto. Enquanto entrava no banheiro e improvisava, tinha essas considerações em mente. O elevador poderia estar no sexto, no décimo, ou no térreo. Seria sempre isso, o corpo não entenderia corretamente o alívio por proximidade.

Lavou as peças sob o chuveiro, entregou para que a mãe as colocasse na máquina de lavar, finalizou o asseio, vestiu-se e partiu.